domingo, 20 de abril de 2008

O Bauru

Éramos muitos naquela casa em que moramos. Além da família tinham os agregados de cada um de nós e então a falação e a aglomeração era muita.
Na casa cabiam todos, tinha varanda e aquela mata em frente nos dava a sensação de que era continuação dela. Para mim, tudo imenso ! A gente se agrupava na sala, na varanda e fumávamos, bebíamos, jogávamos conversa fora, fofocávamos ou simplesmente contemplávamos a paisagem.

Entre os agregrados havia um que era o "agregrado compartilhado", ele era de todos, o mais velho, nosso vizinho de porta, que fazia um creme de cupuaçu delicioso, um suflê de peixe amazonense de dar água na boca e outras coisinhas. Levava as cervejas e fumava escondido da família. Ele "batia ponto". Todo dia lá pelas oito horas da noite lá vinha ele com suas iguarias e seu maço de cigarro e perfumadíssimo. Ele era advogado e estudava muito para os concursos públicos. Ele também trabalhava e vivia por aí nesse interior do estado do Rio de Janeiro.
Uma noite ele chega cabisbaixo, dá um "Oi" murcho, pega o seu cigarrinho e sua cerveja vai pra varanda e fica lá olhando o céu.
O que será que aconteceu com ele ? depois de algum tempo ele nos conta seu dia.
A trabalho ele foi à Vassouras, resolveu o que tinha que resolver e sentiu fome. Foi para a rodoviária e na lanchonete pediu um "Bauru completo". Dava pena vê-lo contando. Ele comia com muita gana aquele sanduiche e como que por instinto resolveu dar uma espiadela no que comia. Antes porém, ele já havia sentido um estalo enquanto mastigava mas não se ligou muito. Nas mãos a metade do "Bauru" com ovo, alface, e tudo e tal e também a metade de uma BARATA ! No susto ele analisou aquela coisa com pernas, amasada, prensada, quentinha sem abrir o sanduíche pra não ter certeza do que era. Depois, o nojo, a raiva.... argh !

Estático ele ficou quando entendeu que a metade da barata já estava dentro da sua barriga. Ele não nos contou se ele chorou. Eu sempre quis muito saber ! Ele contou que xingou, quis bater no atendente, no gerente e na população inteira de Vassouras. Acho que ele nunca mais comeu um Bauru.
Naquele dia eu perguntei e ele mais uma vez não quis responder: -"Você comeu a cabeça ou o cú da barata ? "

2 comentários:

drips e fefê disse...

KKK essa sua dúvida acho muito
pertinente, afinal, faz toda
a diferença!

Fefê

Martuscello disse...

-"Você comeu a cabeça ou o cú da barata ? "
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!!!!

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