quarta-feira, 23 de julho de 2008

Até Que A Morte Os Separe

Leni tinha um bom casamento. Cinqüenta anos de união. À vida de esposa e mulher do lar dedicava-se de corpo e alma. Cuidava pessoalmente do andamento da casa: ia ela mesma às compras semanais; não deixava de visitar a quitanda diariamente para escolher as frutas de que Célio mais gostava; passava os dias lustrando as janelas e pratarias, a imaginar os elogios e mimos que de Célio receberia. À noite, a mesa de jantar era posta com esmero.
Os vizinhos tinham pena da vida que levava aquela mulher, cujo marido morto era o único sentido. No café, duas xícaras, dois pratos, dois pães, bolo de milho fresquinho. E assim eram os almoços, quando Célio voltava da fábrica, e os jantares. "Está gostando do programa, meu bem?", perguntava ela todas as noites quando viam televisão. Completaram bodas de ouro e Leni não dispensou a festa, com toda a pompa a que tinha direito. Os convidados a cumprimentavam pela rara e duradoura união. Certa vez o Doutor Cláudio, amigo da família, bem que tentou tocar no assunto mas... que mulher era mais feliz do que Leni? Os olhos brilhavam, o sorriso se estendia quando Célio era o assunto.
Às vezes, no meio de um chá da tarde com uma amiga, interrompia a conversa, orgulhosa: "Querida, agora me dê licença porque vou à padaria buscar os Croissants do Célio, devem estar saindo neste exato momento!". E assim ia ela, pela calçada, quase saltitante, agradando uma criança, às vezes roubando uma flor que acenava no jardim da Dona Ercília...

2 comentários:

drips e fefê disse...

,,,,, lá, lá, lá ... Leni que era a mulher de verdade. Leni não tinha a menor vaidade. ... as vezes passava fome ao meu lado kkkk
Leni(s)como a sua não existem mais querido!!!
Existem homens tipo "Os Ronaldão barrigudão, dentução, feios pra caralho" e suas Lenis kkkk
O que o dinheiro não faz né ?

drips e fefê disse...

Pois é, Leni que era a viúva de verdade.

Pesquisar este blog