quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Agosto e com gosto

Agosto já está aqui há 6 dias. Eu nem sei se eu gosto ou não deste mês. Eu sei é que tem uma telefonista insistente de uma casa de cegos que está telefonando de hora em hora me pedindo colaboração. Eu já disse pra ela, não sendo eu, que eu não estou em casa, que viajei, que só chego às 22h... não adianta, ainda temos 24 dias.

O mês de agosto foi mês de missa no domingo. Eu fui. As igrejas deveriam vender adesivos com esses dizeres. Teria uma coleção pequena é verdade, mas significativa.

Os primeiros dias do mês de agosto me fizeram refletir sobre o sobrenome materno que carrego. Carrego, acho que essa é a melhor palavra, um sobrenome que distoa, distoava da minha mãe e consequentemente dos meus irmãos. Tias e primos que assinam esse sobrenome acreditam que ele tem uma realeza, uma nobreza, uma classe, um poder, uma riqueza. Será essa a razão do distoamento ? Não somos nobres, poderosos, ricos ...

Alguns consideram complexo de inferioridade, outros consideram a pobreza, outros nem consideram. Aliás foi por causa da falta de consideração dessas tias e primos e do meu priminho querido que divide esse espaço comigo e que não carrega esse sobrenome, ainda bem, que desentubo essas palavras.

Domingo foi rezada missa de 30 dias de falecimento de um primo, que eu não via há 30 anos, é verdade. A gente não sabia nem que time ele torcia, se ele era gordo, chato, nobre.
Nessa igreja eu me casei, nessa igreja foi rezada missa para o meu irmão, nessa igreja foi rezada missa para minha mãe. Essa igreja tem história. Já seriam três adesivos - quatro com essa missa.

E então volto à falta de consideração celebrada no mês de agosto. Vi vários membros nobres da família, que se detestam, que não se viam há mais de 300 anos, se beijando, se abraçando... que família nobre de sentimentos. Eu fiquei encantada com a pintura que via.

Não pude ser como eles.

Do mesmo jeito que entrei naquela cena, saí. Eles me viram. Já começaram os "bolinhos" contando ponto negativo para mim. Além de carregar o sobrenome, carregarei outros predicados que pouco importam. Fato é que dessa vez foi diferente. Dessa vez fui eu quem fui nobre, esnobe, metida. Eu não assino meu sobrenome. Eu o carrego e pela primeira vez fiz com eles o que eles fizeram uma vida inteira com a minha mãe que tinha orgulho de assinar esse sobrenome e fazer parte desse "castelo de areia" que está mais pra barraco de fundo de quintal - assinei no silêncio, na entrada e na saída e com gosto. Foi agosto. Foi a gosto. Foi com gosto. Gosto.

2 comentários:

drips e fefê disse...

É mesmo um martírio pertencer a este mundo de gente tão podre quanto nobre; são uns babacas, pedantes, deslumbrados, ridículos, frios, nasceram para ganhar dinheiro e fazer churrasquinho no fim-de-semana; completamente carnais, são tão espiritualizados quanto uma porta.

Ana Muylaert disse...

Eu não lembro nem que primo era esse! Quem morreu?

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