quinta-feira, 29 de maio de 2008

Descobertas


Semana passada eu estive em São Paulo. Quando o São Paulo fez o primeiro gol. Me senti no Morumbi. Aos 46 minutos virei carioca tricolor.
Que felicidade !
Ontem, eu estive na Argentina. Que frio ....
Voltei logo a ser carioca tricolor. Que felicidade !
Até que eu conseguia torcer pra o Botafogo, Flamengo, Vasco (não muito), times de São Paulo e outros quando eram eles os representantes do futebol brasileiro. Agora eu quero que eles se f@#$dam !
Comemoraram o gol do "Boca" como se fossem Argentinos ! eu ri.
Pensando melhor, quem precisa da minha torcida ? Eu também não preciso da de ninguém!
É um timinho menor do que o "azulzinho do ABC", como disse um Zé da Graça São Paulino, mais tá lá MANO !!!! Não falo mais sobre esse assunto. Nada a declarar sobre esse amor irracional às três cores que traduzem a tradição: a paz, a esperança e vigor unido e forte pelo esporte EU SOU É TRICOLOR !!!

Da série agradecimentos

Tenho feito descobertas incríveis, como a da minha invisibilidade, por exemplo. Longa história, conto depois.
Semana passada uma montoeira de cabos pegou fogo e ficamos sem luz praticamente um dia inteiro. Não bastasse, a fonte do computador queimou, a caixa de som queimou e as lâmpadas estouraram. Queria agradecer a LIGHT. Obrigada LIGHT ! você agora faz parte do meu rol de preces diárias como o Sr. Romão do Brasa Grill, os lixeiros da LOCANTY, o cara lá de Caxias dono da LOCANTY, o Prefeito do Rio....

Rezo todos os dias pra vocês.


segunda-feira, 26 de maio de 2008

A Gratidão É Um Sentimento Nobre

Bem, já que a onda é de agradecimentos, não poderia deixar de fazer os meus. Aqui vão:

Agradeço imensamente, em primeiro lugar, a Sky-TV por assinatura, que telefona para dez pessoas ao mesmo tempo, conversa com o cliente que atende primeiro e reserva para os outros nove um simpático "espere, somos da Sky" e depois um sinal de ocupado. Como é divertido isto, senhores da Sky! Por que não pensaram nesta maravilhosa brincadeira antes?

Depois quero enviar meu obrigado à Net- Tv/Internet, que desligou meu acesso à Internet
por um atraso de doze dias na fatura! Justo eu, que pago religiosamente! Ah, nada que uma conversinha bem "amigável" não resolvesse, não é, amigos? Obrigado pelo pronto-restabelecimento!

Encerrando esta sessão, externo minha gratidão aos coletores de lixo da cidade
de Americana, que no sábado, tão apressados que estavam, a mim não puderam aguardar! Como vocês foram bons, fazendo com que eu me exercitasse correndo atrás do caminhão até a esquina! Pensaram na minha saúde! Obrigado mesmo, a todos vocês!

sábado, 24 de maio de 2008

O nome da barata entrona era Walter

O nome dele é Walter. Estava anteontem num cinema no Leblon assistindo ao “Homem de ferro”. Virou notícia de jornal.

Rio Show – Jornal O Globo – 23/05/08 - “Barata entrona” – Levei meu filho e amigos ao cinema Leblon para assistir a “Homem de Ferro”. Quase no fim da sessão, um dos meninos disse que algo havia entrado em sua bermuda. Ele correu para fora da sala e sacudiu a roupa. Foi então que, perplexos, vimos cair uma enorme barata no chão. Lamentável para um cinema tradicional. Carla, por e-mail.

Walter não era de ferro e nem homem. Era culto, cinéfilo, cineasta, adorava o escurinho do cinema. Tinha bebido um drink, no dia anterior foi a uma Rave e olha no que deu. Adeus Walter. Tanto buraco pra você entrar e tinha que ser na bermuda do menino ?!?!?!?!

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Dinha do Acarajé


Morreu Dinha do Acarajé.
Do Acarajé morreu Dinha.
Morreu do Acarajé Dinha.
Dinha do Acarajé morreu.

Não vi Dinha,
não sei quem é.
A notícia é simples:
Morreu Dinha do Acarajé.

Nunca fui à Bahia,
não provei acarajé.

É certo que Acarajé fazia.
Não fosse assim esse nome
não tinha.

Adeus, Dinha do Acarajé,
baiana legítima.

Com que olhos viveu?
De que gostava mais,
além de acarajé, se é
que gostava?

Por quem se apaixonou?
Tinha medos?
Tinha medo de barata, de avião?
Não sei de nada não.

Dinha, vai com Deus;
vieste à Terra com a
missão de ser baiana,
chamar-se Dinha e ser
do Acarajé. Vai com fé!

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Agradecimento - parte 1

Gostaria de agradecer a Prefeitura do Rio de Janeiro por criar a Lei do silêncio e permitir que a descumpram.
Gostaria de agradecer a empresa LOCANTY telefone 2671-0076, não tem de quê fazer propaganda de empresa tão útil, tão solicita de coleta de lixo seletivo e aos lixeiros que diariamente, impreterivelmente me acordam as 4h da manhã. Obrigada, muito obrigada mesmo.
Não posso deixar de agradecer também aos que me proporcionaram a partir da sua inauguração a noites mal dormidas ou seriam acordadas ? o restaurante BRASA GRILL no Largo do Machado, especialmente na pessoa do Sr.Romão, gerente do referido restaurante. Obrigada Sr. Romão ! Agradeço muito mesmo pela sua colaboração e empenho para as minhas tranqüilas madrugadas, essa de hoje e tantas outras que virão. Esqueçamos o passado.
E finalmente, agradeço a todos os clientes que comem e produzem essa montanha de merda de lixo desse que é o meu restaurante preferido: O BRASA GRILL!
Aproveito oportunamente para desejar que vocês assem no "GRILL", com um palito grosso e colorido na bunda, no quinto dos infernos e que é uma pena que eu não possa transformá-los em baratinhas francesas para poder esmagá-los com uma simples pisadinha....

Madre Teodora

Isolda prepara-se para visitar sua tia Madre Teodora no convento. Mas esta história não começa aqui. Faz-se necessário voltar no tempo. Madre Teodora já nasceu freira. Filha de um proprietário de terras da pequena cidade de Cruz-das-Dores, Teodorinha - ou Teodoca, como carinhosamente era chamada por suas irmãs - percorreu um longo e espinhoso caminho até alcançar a plena realização de seu sonho: entrar para o convento. Filha de pais ateus, Teodora pressentiu muito cedo que Dona Enervídes e Seu Arquimédes constituiriam o seu principal obstáculo.
Teodora era muito bem quista na cidade. Todos admiravam sua simpatia e inteligência. Havia em Teodorinha uma clara superioridade intelectual sobre as irmãs; e também sobre as suas colegas de colégio, sobre seus pais e sobre a cidade inteira de Cruz-das-Dores.
Mais do que isso: existia em Teodora uma sensibilidade incomum, uma espécie de paranormalidade.
A primeira manifestação inusitada dos poderes de Teodorinha deu-se aos sete anos.
Sucedeu que, passeando com sua mãe por em torno da Praça principal de Cruz-das-Dores, a garota foi subitamente atacada por uma profunda tristeza da qual não sabia identificar a origem.
- Mamãe - disse Teodora - como é triste ver a praça assim, com as flores todas murchas, as plantas secas e as árvores tão feias... Isto me entristece...
- Oh, queridinha, não fique assim... É que estamos no inverno, e no inverno é normal que a natureza se recolha para depois reaparecer ainda mais bonita!
- Então, mamãe - retrucou a menina - quando eu for dormir hoje à noite, pedirei ao Papai do Céu que traga logo a primavera para a nossa cidade!
- Ah, minha filhinha! - foi só o que pôde responder Dona Enervídes à filha, enternecida pela ingenuidade e candura da criança, enquanto enxugava uma lágrima.
No dia seguinte, alvoroço geral na cidade, todos em torno da praça, boquiabertos, inebriados, embasbacados: o jardim estava explêndido; tudo havia se tranformado, como em toque de mágica. Havia profusão de margaridas, azaléias, lírios, rosas, orquídeas, crisântemos, todos os tipos de flores, espalhadas pelos canteiros até então vazios; as árvores, antes magras e secas, opacas, agoram eram robustas, imponentes, coloridas, e até mesmo numerosos beija-flores sobrevoavam aquele paraíso em rítmica dança. Dona Enervídes não acreditava no que seus olhos enxergavam... Era milagre! Milagre de Teodorinha!
Desde então Teodora deu pra fazer previsões. Adivinhava tudo, o sexo das crianças que estavam por nascer, a morte dos habitantes de Cruz-das-Dores e acontecimentos importantes da cidade.
Foi, para tomarmos de exemplo, o que aconteceu quando do desabamento da Igreja da Vila Velha: Teodorinha correu a avisar as crianças que ensaiavam no coral da Igreja e evitou um acidente de enormes proporções.
Teodora , a contragosto dos pais, era uma espécie de santa da cidade. E quando demonstrou interesse em estudar no convento e um dia virar freira, estes mostraram-se contrários, mas logo tiveram que abrir mão de suas convicções; foi precisamente no dia em que Teodorinha morreu. Expliquemos.
Um dia Teodorinha morreu. Foi num final de tarde que lhe atacou a garganta um pequeno pigarro, coisa pouca.
- Está com tosse, filhinha?
- Não, hum, hum, mamãe, é só uma coceirinha na garganta, não se preocupe.
- Você tem saúde de ferro, Teodora, nunca pegou sequer uma gripe!
No dia seguinte, a coceirinha passou a tosses constantes que se tranformaram em pneumonia, com febre alta, e Teodorinha foi posta de cama até não resistir e morrer.
- Ah, que desgraça, Arquimédes, deviamos ter permitido que Teodorinha entrasse para a irmandade! Que desgraça!
- Ai, Enervídes, como isto queima o meu coração, como isto queima o meu coração!
A cidade inteira compareceu ao velório de Teodora. Às quatro e meia da tarde o Padre Vitório pronunciava sua oração quando um fato deveras estranho conteceu. Alguém disse:
- Uma barata!
Dona Framília, que tinha horror ao inseto, soltou um grito estridente e desatou a correr entre os presentes, empurrando todos:
- Uma não, são duas baratas!
O Osvaldo da farmácia também não podia ver uma barata e teve quase uma síncope:
- Olha, ali tem outra... E ali! Meu Deus, não param de surgir baratas!
Com efeito a sala do velório foi tomada por numerosas baratas que advinham incessavelmente de baixo do caixão de Teodora. Alguns segundos depois e já eram em torno de cinqüenta. Neste instante, para espanto absoluto de todos, Teodorinha levantou-se bruscamente, olhos esbugalhados. Confusão geral. Corria-se das baratas; agora corre-se de Teodorinha. Diversas pessoas desmaiam. Demora-se a entender o que se vê. Teodora recussita!
Bem, após este prólogo, voltemos à Isolda, que se arruma em frente ao espelho. Passam-se setenta anos. Valquíria, irmã de Teodora, conversa com sua filha sentada à mesa do café.
- Ah, mamãe, eu não quero visitar a titia Teodora...
- Mas por quê, Isolda, ela é tão boa para você!
- Eu sei, mamãe, mas é que... Às vezes ela me enfada. Sabe... Eu não gosto dessa sua mania de ficar prevendo o futuro, dizendo o que vai acontecer em nossas vidas...
- Oh, querida, não se preocupe com isso. É que este dom a acompanha desde pequena, você tem que entender. E, além do mais, nem sempre ela acerta...
- E eu não sei? Comigo mesmo já errou diversas vezes...
- Pois então! Só não quero que contrarie Teodora. Minha irmã já é uma mulher idosa. Vive para rezar, coitada, confinada naquele convento dia e noite!
- Está bem, mamãe, levarei as frutas.
Ainda um pouco contrariada, Isolda, linda moça de vinte anos, namorada do Augusto, rapaz da cidade que está prestes a formar-se médico, parte rumo ao convento.
- Oh, Isoldinha! Deus, como eu fico feliz em vê-la, você não pode imaginar, filhinha!
- Sei, titia... Eu também.
- Sente-se Isoldinha - Teodora sentia por sua sobrinha Isolda não diremos inveja, mas algo entre admiração e orgulho, aquele frescor da idade, a fisionomia esbelta, os longos cabelos cacheados, a promissora carreira no magistério, a vida que estava por se descortinar...
- Trouxe frutas para a senhora. Tem tudo de que a senhora gosta. Maçãs, uvas, bananas, morangos...
- Como você é boa para mim Isoldinha... Mas, diga-me, como anda o namoro com o Augusto?
- Ah, titia! - neste instante um raio de luz atravessa os olhos de Isolda, e sua fisionomia muda ao falar do namorado - o Augusto e eu, creio que juntaremos nossos trapinhos em breve...
- Seria lindo...
- Não posso esperar mais, titia!
- Seria lindo...
- Estou até imaginando como será meu vestido!
- Seria lindo... Mas não vai ser.
- O... O quê, titia?
- Este casamento não sai.
- Como não sai?
- É o que digo, não se casará com Augusto.
- Mas titia, Augusto e eu, nós nos amamos, somos verdadeiramente apaixonados um pelo outro...
- Augusto tem outra... Eu sinto.
- O quê??? Augusto.. Outra?
- Sim.
- Mas... Pois olhe, titia, eu não acredito no que a senhora está dizendo - Isolda cruza os braços e vira-se de costas.
- Como não acredita?
- Não acredito. Para mim é cristalino como a água... Até o final do ano me caso com Augusto. E ele é absolutamente fiel a mim...
- Não posso entender... Nunca desconfiou de mim, querida... Estou desolada...
- Não se trata de desconfiança, titia... Apenas acho que a senhora se engana.
- Mas... Trago em meu coração este dom, filha ... Nunca alguém recusou a oferta de minhas previsões, Isolda!
- Pois quando se trata de meu futuro e de Augusto, posso garantir: casamo-nos tão logo ele se forme!
- Estou muito triste, querida. Muito triste...
- Olhe, titia, se a senhora agora me der licença, irei estudar para minhas provas do magistério. Não me leve a mal. Mamãe envia beijos - Isoldinha beija a testa de teodora, que está sentada em sua cadeira de balanço, e sai.
- Isoldinha... Volte aqui... - murmurou Teodora.
Nunca ninguém ousara contrariar Teodora. Estava perplexa. Sentia apertar-lhe o coração. De súbito um mal-estar: o ar lhe faltava; quis levantar e não pôde. Sufocava-lhe a garganta, não podia chamar por auxílio. Doía-lhe a cabeça. Nunca ninguém ousara contrariar Teodora. Sozinha em seu quarto, pôs-se a debater, mas não podia mais respirar. Segundos de terror se passaram. Foi encontrada morta, minutos depois, quando chamavam-lhe para as orações.
Nunca ninguém ousara contrariar Teodora. Nunca...

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Agradecimento/objeto de desejo - parte 2/ parte 1



Eu queria ter um caminhão de lixo igual a esse, sem esse adesivo do Kauê e da Prefeitura do Rio de Janeiro. Meu objeto de desejo.
Como eu seria feliz dirigindo um caminhão desse às 4 horas da madrugada, com aquele compactador ligado sem parar, atirando aqueles sacos pretos, latas, garrafas, caixa de isopor, dentro da caçamba fazendo o maior barulhão ....
Eu queria ter um caminhão desse e uma lista de endereço. Pra começar o do Sr. Romão - gerente do BRASA GRILL e do Dom João Lixeiro dono da LOCANTY, que eu presumo quem seja mas tenho medo de dizer porque o cara é mafioso e eu posso virar o lixo do lixo dele, o do Prefeito do Rio todos sabemos.
Seria uma apoteose de alegria vê-los acordando de madrugada com suas cuecas listradas e casacos azuis e sua família, como minhocas em cima dos lençóis de linho se contorcendo ... Ó, quanta alegria.... todos os dias .... quanto egoísmo o meu ....
Será que na rua deles, debaixo da janela deles, como uma serenata, isso acontece todos os dias ?
Eu quero que eles se fo@#$%$¨!!!! dentro de uma caçamba, com palitos coloridos enfiados na bunda, com um saco preto todo cagado de restos de salmão e cebola na cabeça, e um radinho tocando Roberto Carlos. Peguei pesado.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Não ia dar certo!

Quando a gente fica com raiva de alguém o desejo é que um monte de coisas ruins aconteçam pra esse alguém, e nem adianta vir com essa historinha de que "Eu, não. Eu não desejo isso...."
Quando alguém que a gente não fez nada fica com raiva da gente e não sabemos nem o porquê, a gente também deseja que esse alguém "se dane".
Se essas pessoas pudessem virar baratas ia ser muito bom, assim com uma simples chinelada elas estariam espatifadas ! Seria bom pra muita gente... pra mim não... Eu não mato baratas. Tenho pavor delas.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Jurema

- Barata, barata, barata, barata, barata!
- O que é isso, mulher?
- Eu não agüento mais tanta barata!
- Mas onde tem barata??
- Correu pra janela e foi embora...
- Eu acho que você está vendo coisas...
- Eu sei o que vejo... e sei o que verei depois...
- Sabe o que vê, o que verá depois... Que história é essa?
- Ele... Ele sempre vem... Depois das baratas...
- Mas quem, santa criatura, vem depois das baratas???
- O Nicanor! O Nicanor!
- Ah, não, vai começar de novo com essa história de Nicanor! Nicanor está morto. Morto e enterrado!
- Não pra mim!
- Eu acho que você virou é uma histérica!
- Você não acredita, não é?
- Eu acredito que você deve procurar ajuda urgente...
- Ajuda? A minha própria irmã me chamando de louca! E o pior é que você acredita! Você acredita! Você faz isso pra me irritar!
- Como você fala bobagem...
- Você está louca para que me internem... Que me levem pra bem longe da SUA casa, não é?... Pobre destino de uma mulher viúva, idosa, sem casa pra morar...
- Que idosa o quê? Por acaso agora você é idosa com 39 anos?
- Mas é assim que eu me sinto... Desde que o Nicanor morreu parece que... parece que a minha vida passou... que eu vivo pra esperar a morte.
- Não seja dramática.
- Não é drama, não! É real o que eu sinto... E ele vem pra me perturbar... Ele me persegue!
- Eu acho que quem anda influenciando você é esse pai-de-santo com quem você anda saindo...
- Que pai-de-santo o quê! O Valdecir é espiritualista!
- Ista, ista... Sei. O que eu sei é que desde que você começou a se relacionar com esse... ista, você não tem sossego.
- Eu não me "relaciono" com o Valdecir, ele é só um amigo.. Uma alma gentil... Que me acolheu num momento tão difícil...
- Sei, sei... De almas gentis o inferno está cheio. Humpf, se eu não conhecesse...
- Judith, não é o Valdecir o meu problema. É o Nicanor!
- Mas o que esse homem morto, que já apodreceu, já foi corroído pelas baratas, pode fazer pra você, Jurema! Depois diz que não tá doida...
- Ele tem ciúmes...
- Ciúmes???
- O Nicanor morre de ciúmes do Valdecir!
- Ah, não, essa é boa! O Nicanor com ciúmes do Valdecir...
- Eu não agüento mais, eu não agüento!
Jurema sai perturbada em direção à rua. Quase é atropelada por uma bicicleta. Segue sem destino. Anda dois, três quarteirões. Senta-se num banco de praça. Levanta-se, continua a andar. Ao passar por um poste, uma voz:
- Jurema... Jurema!
- Quem é? O quê você quer! Deixe-me em paz!
- Jurema, você é minha mulher...
- Eu ERA a sua mulher, Nicanor, eu ERA!!! Você morreu! Morreu e me deixou!!!
- O Valdecir... O Valdecir...
- O que tem o Valdecir?
- Não se esqueça... Eu estou vendo tudo...
- Vendo o quê, não aconteceu nada, Nicanor!
Uma senhora passa e oferece ajuda:
- Minha filha, você está precisando de alguma coisa?
- É esse homem, dona, ele me persegue, eu não posso mais suportar!
- Qual homem, moça?
- Meu marido... Meu marido morto! Ele fala comigo, não me deixa em paz!... Tudo está confuso, eu não sei mais distinguir o que é real... As baratas... As baratas me avisam! As baratas!
- Minha filha, eu vou levar você pra casa, você está pálida...
- Não, minha casa não, eu não quero mais ver baratas!
- Na sua casa tem muita barata?
- Todo dia, toda hora, dona. E quando eu durmo, à noite... elas vêm... E fazem cócegas pelo meu rosto!
- Você não quer que eu chame um médico?
- Não! Não, médico não, médico não!
- Mas eu tenho que chamar... Eu vou chamar!
- Médico não, médico não! Não!!!
Neste momento Jurema sai em disparada, atravessa novamente a rua sem olhar e é atropelada por um táxi em alta velocidade. De sua cabeça no chão, já sem vida, escorre grande quantidade de sangue. Uma barata passa por sua testa, cotidianamente...

quinta-feira, 1 de maio de 2008

A força do pensamento

Feira livre sábado de manhã em Laranjeiras. Gritaria frenética ! A feira pára.
Ela joga a sacola no chã
o, puxa a blusa com força pra frente como se estivesse prendendo algo em suas costas, diz pra sua irmã que precisa ir pra casa, fica nervosa e começa a correr no meio da feira pra alcançar rapidamente sua portaria. O elevador demora e ela se desespera. Entra em casa quase chorando, sobe as escadas de três em três degraus, berrando o nome da sua mãe, dizendo que tem uma barata presa nas costas e que ela precisa salvá-la.
Sua mãe criatura serena, pede para deixá-la tirar sua blusa. Ela não deixa e diz que a barata vai andar.
Minutos de tensão .... a mãe escorrega a mão pelas costas dela e não encontra nenhum calombinho, muito menos calombinho de barata ! Tentativa em vão de convencimento.... mais minutos de tensão .... Ela tira a blusa.
Pois é, aí está a força do pensamento.

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